Demorou 50 Anos Para Uma Jornalista Negra Apresentar O JN

Na mesma semana em que foi criticada pesadamente por difundir comentários de cunho racista e de intolerância religiosa no “BBB19”, a Globo anunciou que Maria Julia Coutinho iria apresentar o “Jornal Nacional” neste sábado (16). Tornou-se a primeira mulher negra a ocupar esta função no principal telejornal da emissora.

Além de fazer justiça à excelente profissional que é, a escalação de Maju tem peso histórico e simbólico. Demorou 50 anos. Em 1º de setembro, a Globo festeja o cinquentenário do primeiro telejornal exibido em rede no Brasil.

Apenas quatro apresentadoras do sexo feminino, sempre ao lado de William Bonner, ocuparam esta função, em posição fixa, a partir de 1996: Lilian Wite Fibe, Fatima Bernardes, Patricia Poeta e Renata Vasconcellos.

Outras mulheres já estiveram na função ocasionalmente, a saber: Sandra Annemberg, Monica Waldvogel, Ana Paula Padrão, Mylena Ciribelli, Carla Vilhena, Christiane Pelajo.

A bancada do JN aos sábados obedece a um sistema de rodízio. Atualmente, integram a escala as jornalistas Ana Luiza Guimarães, Ana Paula Araújo, Giuliana Morrone e Monalisa Perrone.

Vinda da TV Cultura, Maju atuou na Globo como repórter em São Paulo a partir de 2007. Em 2013, passou a fazer a previsão do tempo em vários telejornais. Em 2015, chegou ao JN. Agora em fevereiro, por exemplo, ancorou o telejornal durante a cobertura da tragédia em Brumadinho.

Na função de apresentadora da previsão do tempo, Maju foi alvo de ofensas racistas na página do JN no Facebook em 2015. Em resposta, o telejornal abriu o microfone para a jornalista comentar o caso. Foi um discurso histórico, de 70 segundos, no qual ela disse:

“Eu já lido com essa questão do preconceito desde que eu me entendo por gente. Claro que eu fico muito indignada, triste com isso, mas eu não esmoreço, não perco o ânimo, que é o mais importante”.

Na última quinta-feira (14), após o anúncio da escalação para o JN, ela disse ao UOL: “É simbólico e, infelizmente, ainda é notícia. É uma comoção para uma população representativa do país que não se viu ainda contemplada naquela bancada. O meu sonho é que, realmente, isso não seja mais notícia um dia”.

Maju não está sozinha na luta por representatividade e espaço enfrentada por profissionais competentes na TV. Na Globo, o repórter Heraldo Pereira tem sido escalado, desde 2002, para substituições eventuais e aos sábados na bancada do JN. A repórter Zileide Silva já atuou no “Bom Dia Brasil” e é vista com frequência na bancada do “Jornal Hoje”. Gloria Maria foi apresentadora do “Fantástico” por muitos anos.

Fora da Globo, é importante mencionar Joyce Ribeiro. Foi apresentadora de diferentes telejornais no SBT e, em abril de 2018, assumiu sozinha o comando do “Jornal da Cultura”. “Em 2018, a presença de uma mulher negra em papel de destaque na TV é tão questionada e chama tanto a atenção“, lamentou então. No mesmo ano, a RedeTV! também fez história ao escalar Luciana Camargo e Rodrigo Cabral, ambos negros, para dividirem a apresentação do “RedeTV News”.´





Blog do Mauricio Stycer
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Postado por: Revista Novo Perfil

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